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O que me trouxe até aqui…

Ninguém viaja só. A bagagem é sempre mais pesada do que a viagem, as histórias são sempre mais complexas do que a paisagem.

Se chegar não é ficar e se o caminho só existe ao caminhar, então não cheguei até aqui, estou simplesmente a passar.

Sou apaixonada por histórias, por palavras e pessoas. Talvez tudo tenha começado com a Disney que, entre histórias de encantar e aventuras mirabolantes, me ensinou a acreditar que onde há espaço para sonhar também há margem para criar.

Assim que aprendi a escrever decidi que ia ser escritora. Queria dar vida os meus próprios universos, aventuras e heroínas. Queria (re)inventar o mundo, mesmo que por palavras. Queria (re)escrever a vida, mesmo sem ainda a ter vivido.

Num caderno em branco, comecei a escrever contos e poemas – ao nível do que sabia, de como escrevia e do que conhecia. Eram textos de nada, mas para mim é tudo.

Escrevia todos os dias e todos os dias me relia. Até que alguém me disse: “não tens jeito para as palavras, dedica-te aos números”.

Nesse momento, desisti de ser escritora. Tinha 8 anos.

Na altura que isto aconteceu, estávamos a organizar uma feirinha de profissões, na escola. Cada um tinha de apresentar a sua profissão numa cartolina, mas eu tinha ficado sem a minha.

Como sou desenrascada, fui perguntar às minhas amigas o que elas queriam ser quando crescessem. Uma das minhas melhores amigas disse-me que seria treinadora de golfinhos e a ideia agradou-me, por isso, reagi como se nada fosse com um: “eu tambéééém!!!”, como quem diz: “que enorme coincidência” (só que não).

Nesse dia ganhei uma nova profissão. Depois, com a telenovela Saber Amar (lembras-te?) decidi mudar: afinal, seria Bióloga Marinha.

Passou-se o tempo, manteve-se a decisão.

Foi no 11º ano que a minha professora de Biologia (olha a coincidência), decidiu perguntar-me, após a apresentação de um trabalho: “Ana, vais ser mesmo feliz em Biologia? Não devias olhar para a Comunicação?”

Os fantasmas voltaram.

Olhar, olhar até podia, mas achava que não era para mim. Afinal, falar e escrever todos sabem – eu não tenho nada de especial.

Nasci sem talentos. 


Estudei Ciências da Comunicação a achar que seria jornalista televisiva. No entanto, o marketing piscou-me o olho e nasceu uma paixão.

Iniciei a minha própria agência digital aos 22 anos. Arranquei com o dinheiro que tinha na minha conta, sem experiência, sem mentores ou conselheiros. Fui como estava, levei o que tinha.

Enquanto agência digital éramos especializados em branding e activação de marcas nas mais variadas plataformas digitais: garantíamos serviços de design, programação e consultoria em marketing digital. Estes serviços levaram-nos à organização de eventos offline, para reforço do posicionamento das marcas e construção de conteúdo para divulgação online.

Desta forma, a certa altura, sentimos necessidade de expandir os serviços e começar a produzir também merchandising, que nos permitisse dar uma resposta mais rápida e adequada aos clientes que já trabalhavam connosco.

Com o nascimento desta nova área de negócio, decidimos ir mais longe, lançando a nossa própria marca de artigos personalizados, destinados ao consumidor final, efectuando as vendas através de uma loja online e física.

Deixávamos assim de trabalhar somente com empresas e passávamos a ter, também, uma marca 100% criada e gerida por nós.

Parece incrível dito assim, mas comecei a ficar cansada.

Odiava cada reunião. Detestava os telefonemas, emails. Enfim, vivia numa pilha de nervos, mas fui-me deixando ficar. Não era feliz, mas achava que era suposto, que era assim, era trabalho. Precisei sentir-me realmente mal para perceber que aquele caminho não era para mim. Não era para mim porque não era eu que estava ali.

As roupas não eram as minhas. A postura não era o meu estilo. A pose de empresária tradicional não se encaixava e o negócio trazia-me mais problemas do que benefícios.

Entrei num desgaste constante, em que estava sempre a trabalhar, mas não estava verdadeiramente a produzir.

Tudo isto levou-me a uma quebra. Não do negócio, mas pessoal, o que me conduziu a um enorme processo de auto-destruição e, posteriormente, de (re)construção.

Foi um longo processo. Duro, muito duro. Mas trouxe-me à melhor descoberta de sempre:

Não precisas de talento para ser uma rockstar. Só precisas de star quality e isso eu, hoje, posso explicar.

Não quero em momento algum que olhes para o meu percurso e que penses “para ela foi fácil”, porque não foi, não é. Quero muito que entendas que se é possível para mim, é possível para ti.

No fundo, só queremos ser felizes, realizadas/os e amadas/os. Por isso, o nosso foco deve ser descobrir o que nos pode dar isso, ao nosso estilo, no nosso registo, segundo quem verdadeiramente somos.

Agora, o meu trabalho é voltado para pessoas que, tal como eu, precisam de perceber que papel querem desempenhar neste mundo, como querem ser vistas e o que podem fazer em consequência disso, vivendo uma vida feliz, realizada e financeiramente independente.

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