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Criatividade . Empreendedorismo . Marca Pessoal

Influenciador(a) vs. Empreendedor(a)

O Marketing de Influência começa a ser cada vez mais falado em Portugal. Aquilo que já é um dado adquirido lá fora, começa a ganhar destaque no nosso país através de formações, notícias e conversas do dia-a-dia.

Se perguntarmos a uma criança o que quer ser quando for grande, há uma enorme possibilidade de nos responder: Youtuber. Sem papas na língua, complexos ou dramas.

A Internet fez nascer estrelas anónimas, pessoas com vidas comuns passaram a ter milhares (em alguns casos, milhões) de seguidores – simplesmente pelas ideias que partilham, a imagem que apresentam ou as dicas que ensinam. É incrível.

Obviamente a indústria publicitária foi obrigada a adaptar-se a esta realidade e o marketing de influência começou a ganhar palco. Afinal, se eu sigo uma pessoa que me inspira confiança, que tem um estilo de vida semelhante ao meu ou similar ao que ambiciono ter… é natural que me influencie muito mais na hora de efectuar uma compra.

Atenção que não falo disto como analista, falo como experiência própria. Neste momento, eu sou muito mais influenciada a comprar produtos, serviços, formações, livros, tecnologia, sei lá…TUDO, pelo que vejo no Instagram, Youtube e blogs. Basicamente não vejo televisão, mas apesar de ser apaixonada por anúncios, sou obrigada a confessar que, neste momento, os influenciadores digitais conseguem um efeito muito mais directo em mim.

Seja porque demonstram na prática como se utiliza, como funciona, como é ou porque vejo as suas rotinas, entendo que aquele produto faz sentido na vida deles e, por consequência, na minha. Talvez porque temos coisas em comuns e procuramos o mesmo. Sem dúvida, porque me identifico e, ao me identificar, é muito mais fácil sentir-me convencida. É a mesma sensação de quando uma amiga nos aconselha algo – é muito raro não nos sentirmos tentadas a comprar.

Obviamente, que as marcas entendem a importância de investirem em influenciadores digitais. Por esse motivo, esta profissão começa a ser cada vez mais rentável, promissora e, consequentemente, desejada.

Ofereço serviços de mentoria/consultoria e formação a produtores de conteúdo (aka influenciadores digitais) e uma das perguntas que mais repito é: O que esperas conquistar com isto?

Queres ser influenciador(a) ou empreendedor(a)?

Esta pergunta gera normalmente um: “Como assim?” E é fundamental exactamente por isso. O mindset é completamente distinto.

No fundo,

  • Esperas que te sigam só porque és fantástica/o ou tens algo a somar à vida das pessoas?
  • O que vais oferecer de relevante? Esperas ajudar os outros como?
  • Procuras números ou pessoas realmente interessadas no que partilhas? Pessoas que interagem, que comentam, que partilham, que falam contigo?
  • O que te motiva é a fama ou a tua realização profissional?
  • Estás a pensar mais em ti ou naqueles que te poderão seguir (no teu público)?

Em resumo,

O teu foco está em ti ou num público específico que pretendes ajudar através do teu conhecimento, experiência, estilo de vida e vontade?

Ninguém sonha uma profissão só porque sim. Se queremos ser professores, queremos por um motivo. Se o motivo for somente reconhecimento e dinheiro, então que diferença faz ser professor, engenheiro ou médico?

As nossas ambições devem ter um fundamento, uma razão, um porquê.

Agora, aqui entre nós:

  • Se queres ser influenciador(a) digital porque efectivamente tens valor a somar ao teu público-alvo…
  • Se procuras viver do teu canal de YouTube, do teu blog, do teu Instagram, etc. No fundo, se procuras viver do conteúdo que produzes…
  • Se tens uma marca-pessoal bem definida…
  • Se tens objectivos bem enquadrados…
  • Se és fiel a valores concretos, se tens conteúdo coerente, consistente e profissional…

És empreendedor(a) !

Por isso, começa a ver-te como tal. Começa a tratar este teu sonho como uma profissão, dedica-te de forma séria, encara o teu projecto como um negócio.

1. Define formas de rentabilizar a tua marca

Seja através duma loja com produtos enquadrados na temática, formações, pequenos workshops, palestras, eventos ou mesmo através de colaborações com outras marcas – economia criativa. Seja através de patrocinadores, não importa, mas encontra uma forma de rentabilizar a tua marca e transforma-a num negócio.

Mesmo que neste momento só queiras “pagar” o teu conteúdo, os custos da plataforma e o tempo que ocupas com esta atividade, assume isso. Encara-te como um meio profissional que oferece serviços de valor aos seus patrocinadores. Identifica quem podes ajudar (que marcas farão sentido patrocinar-te), o que lhes podes oferecer e qual o valor justo que te deverão pagar.

2. Cria o teu Media Kit

Tal como os outros meios de comunicação que oferecem espaço publicitário para anunciantes, criar o teu próprio media kit.

Prepara uma apresentação (ultra!) profissional, perfeitamente enquadrada com a tua imagem, mensagem e marca.

[Neste tópico costumam-me perguntar: “Devo colocar os meus números?” A resposta costuma ser: Sem dúvida. No entanto, se os teus números não são muito relevantes (por agora), a minha dica é que os coloques, mas que não os tornes o centro do teu media kit. Esta peça é criada por ti, por isso, usa-a a teu favor. Destaca o que realmente é positivo, a tua mais-valia, o que te torna diferente, o porquê que devem investir em ti e não noutra pessoa. Vende-te, literalmente, como queres que te vejam, percebam e comprem. Isto é, vende aquilo que podes realmente oferecer e destaca aquilo que te torna única/o e especial, destaca o teu propósito.]

Tens menos números do que os grandes influenciadores mas mais aptidões fotográficas? Foca-te nisso. Oferece isso. Destaca isso.

Antes de contactares qualquer empresa, marca ou potencial patrocinador, questiona-te da forma mais honesta possível: se fosses tu no lugar deles, investias em ti, no teu projecto? Se a resposta te causa dúvidas, procura identificar melhor o que podes oferecer que outros não o façam.

3. Investe no teu projecto

Queres que acreditem em ti, mas nunca investiste numa boa câmara, em formações, livros, … na prática, no teu negócio.

Queres que acreditem em ti, mas não tens actividade aberta, nunca foste falar com um contabilista e nem tens como passar facturas.

Queres que acreditem em ti, mas tu própria/o não acreditas.

És a/o primeira/o investidor(a) do teu próprio negócio. És a/o primeira/o que tem de acreditar que vale a pena, que vai acontecer, que vai ser um sucesso.

Se tu própria/o não estás disponível para gastar o teu dinheiro com algo que é teu, feito por ti e que só depende do teu esforço, trabalho e dedicação, explica-me: como queres que surjam patrocinadores interessados?

O primeiro passo tem de ser teu. Afinal, queres ou não queres fazer disto um negócio? És ou não és empreendedor(a)?


Se precisares da minha ajuda, estou aqui.

Sem papas na língua, sem fórmulas secretas que prometem o impossível, sem filtros, mas com todo o meu know-how, experiência e feeling.

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Blogging, empreendedorismo

Comentários (2)

  • Obrigada… Estas palavras ajudaram-me a ter uma perspectiva do que estou a fazer de mal ou do que tenho de melhorar. Mas primeiro a cabeça, sempre a cabeça…

    • Se achares que te posso ajudar, respondendo a algumas questões. Envia-me um email ou fala comigo nas redes sociais 🙂

      Até já!

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