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Criatividade . Empreendedorismo . Marca Pessoal

Como vencer o medo de largar um emprego?

Estás cansada/o do teu trabalho. Estás farta/o da tua rotina. Queres algo mais, queres ter o teu próprio horário, trabalhar em qualquer lugar, viajar quando te apetecer. Não queres que a tua felicidade esteja condicionada a férias, fins-de-semana e feriados. Talvez queiras mais tempo em família ou estar com os teus amigos quando escolhes e não quando é possível. Queres ter um propósito de vida, queres que o teu trabalho tenha significado. Queres apresentar uma carta de demissão e arrancar para algo novo, único, teu.

Talvez esta seja a tua história, talvez não. No entanto, se estás a ler este texto é porque este assunto te chamou à atenção. Por isso, bora lá: rumo à solução!


É provável que não saibas, mas comecei a minha carreira profissional numa empresa familiar (literalmente!). Além de um estágio curricular (realizado na FNAC Portugal), trabalhei com contracto de estágio profissional na empresa de um primo.

Agora imagina que a tua experiência profissional é quase nula, que estás a 3 meses da conclusão de um estágio profissional e que queres apresentar a tua carta de demissão. Junta a isto o facto desta carta ser entregue ao teu primo, dono da empresa. Não é só uma relação profissional, é todo um universo familiar misturado. Achas fácil? Adianto já: NÃO É! No caso, não foi.

Já estive na tua situação. Não me sentia suficiente, não achava que estivesse preparada, não sabia ao certo o que ia acontecer, como ia resultar, se seria capaz, se conseguiria.

Tinha 22 anos. Não tinha propriamente um currículo brilhante ou um longo portefólio. Não tinha qualquer garantia. Saí sem subsídio de desemprego, sem um plano estratégico desenvolvido, mas com a certeza de que ia conseguir… e consegui! Aqui estou eu, 5 anos depois.


1. “Vou deitar tudo a perder”

Na época em que decidi criar o meu próprio negócio, ouvi: “é impossível criares uma empresa na área de marketing sem antes passares pelas principais agências do país. Tens imenso potencial, diz-me onde queres trabalhar que eu abro-te as portas. Não deites tudo a perder”. Imagina ouvir isto de um profissional da tua área, alguém bem sucedido, alguém que admiras.

Assim que me apanhei sozinha, chorei como se não existisse amanhã. Nunca um elogio me pareceu tão amargo. Questionei tudo, questionei até se devia viver no Algarve ou em Lisboa, coloquei tudo em cima da mesa. Pensei em pedir essa tal oportunidade numa agência, pensei em seguir exactamente como queriam, como seria esperado.

No entanto, havia uma pergunta que não queria calar: e se, no futuro, me arrepender?

A resposta foi clara: mais tarde iria olhar para aquele dia e culpar-me por não ter arriscado, por ter tido o momento e não ter aproveitado.

Percebi nesse momento que “deitar tudo a perder” é sonhar com algo, desejar algo, e não tentar. É sentir que a minha realização pessoal e profissional passa por um caminho e que eu escolhi outro, por medo de arriscar, por medo de falhar.

“Deitar tudo a perder” é deixar que a voz dos outros faça mais ruído que a minha própria vontade. É viver em piloto-automático em prol de um futuro melhor, mas do qual tenho zero garantias.


“I shall be telling this with a sigh

Somewhere ages and ages hence:

Two roads diverged in a wood, and I—

I took the one less traveled by,

And that has made all the difference.”


 – Robert Frost

2. “Vou viver do quê?”

Um dos meus maiores medos era, obviamente, a minha segurança financeira: será que vou ter clientes? Será que vou ter dinheiro para me pagar um ordenado e todas as contas associadas a um negócio? Será, será, será?

Sempre que este medo batia mais forte, pensava:

Largar o meu trabalho vai fazer com que morra de fome ou vire sem abrigo?

A resposta era óbvia: não. Tinha uma conta poupança (que não era incrível, mas era qualquer coisa), vivia em casa dos meus pais e mais importante: TINHA (e continuo a ter, felizmente) DOIS BRAÇOS DE TRABALHO! Ou seja, se tudo desse para o torto, poderia sempre entregar novos currículos, podia ir trabalhar para uma loja ou um café. Soluções não faltam, mesmo que não sejam as ideais.

Para evitar correr riscos, criei uma tabela para me ajudar!

De um lado, coloquei todos os riscos associados à minha decisão. Por exemplo: “não fazer dinheiro”. Na coluna em frente, coloquei todas as soluções possíveis caso essa situação se verificasse. Ou seja, criei respostas para todos os eventuais problemas.

Fiquei mais confiante, mas isto não foi suficiente. Na altura, reuni com vários contabilistas até decidir com quem iria começar a trabalhar, ouvi várias opiniões, procurei mentores que me ajudassem a construir um bom plano de negócio, investi em formação nacional e internacional, comprei livros especializados e entreguei-me ao meu projecto a 200%.

Correu tudo bem? Não. Podia ter feito algumas coisas diferentes? Podia. Hoje faria quase tudo doutra forma. No entanto, foi assim que conquistei a minha coragem, a minha segurança (mesmo que em teoria) e a confiança no meu trabalho e inteligência!

Foi assim, que tirei um sonho do imaginário e o tornei real.

3. “O que vão pensar de mim?”

Lembras-te de ter dito que estava a trabalhar na empresa do meu primo? Imagina ter de comunicar a TODA a família que ia largar essa oportunidade para criar o meu próprio negócio. Pois, não foi a tarefa mais simples da vida.

Onde consegui arranjar coragem? Na certeza de que me ia safar. Literalmente isto. No momento em que percebi que podiam surgir todos os problemas do mundo (mesmo aqueles que eu não imaginava possíveis) e que eu tinha capacidade para os enfrentar, decidi avançar.

Hoje sei que as pessoas têm pouco tempo para estar a pensar no que faço ou deixo de fazer e, mesmo que haja quem dedique tempo e energia a analisar a minha vida, também o fariam noutra situação qualquer. Quem quer julgar, não precisa de argumentos. Mesmo se escolhesse estar quieta, iria receber críticas. A vida é assim, as pessoas são assim e não há muito a fazer.

Por isso, se queres largar o teu emprego para criar um negócio – com as tuas regras, a tua voz e assinatura, as minhas melhores dicas são:

  • Faz uma lista de coisas que gostavas de ter, viver. Cria uma visão de ti, uma imagem do teu futuro;
  • Cria uma lista das tuas forças, dos teus talentos, daquilo em que és imbatível;
  • Descobre o teu propósito;
  • Cria a tua marca pessoal, define uma estratégia de comunicação, encontra o teu público;
  • Identifica as dores, problemas e fantasias do teus futuros clientes;
  • Faz corresponder produtos/serviços que respondam a essas necessidades;
  • Constrói uma tabela com todos os riscos possíveis e faz corresponder soluções plausíveis;
  • Avança!

Lembra-te:

Estás em direcção ao progresso e não à perfeição.

Por último, mas não menos importante, procura pessoas que te inspirem – mentores, formadores, professores. A educação é a nossa maior força.


Gostavas de criar um plano de negócio com a minha ajuda?

Agenda mentoria comigo através do email hello@annieway.pt

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Comentários (2)

  • Quem me dera eu ter a tua coragem. Estou no serviço pós venda e lidar com esse tipo de público é horrível!
    Mas com o marido a estudar a full time e apenas eu como rendimento, é bem complicado fazer um “flip the table and take off”… Estou a tentar abrir um negócio mesmo assim, vamos lá ver como corre, está a ser mais lento do que pensava, pois preciso investir, mas se tudo correr bem, até ao fim do ano quero ter o meu negócio pronto!

    • Olá !
      Obrigada pelo teu feedback e partilha.
      A coragem conquista-se com planeamento, preparação. Pelo que descreves, não é simples jogar tudo ao ar e arriscar num projecto próprio.
      No entanto, lembra-te: não precisas fazê-lo de forma absolutamente abrupta. Podes aproveitar este período para construir a tua ideia, desenhar o teu plano e definir o teu caminho. Aproveita este tempo para ganhares clareza, confiança e estrutura.
      Antes de investires dinheiro, investe tempo a consolidar a tua ideia. Dedica o teu tempo livre a este sonho.
      Vais perceber que o salto será muito mais seguro se for estudado, preparado e calculado previamente.
      Qualquer troca de ideias ou ajuda em que possa ser útil, estou aqui.
      Até breve!

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